NASA planeja usar energia térmica nuclear em foguetes para chegar a Marte

oguetes espaciais em sua maioria usam como combustível a hidrazina, um composto químico altamente tóxico e corrosivo. Algumas empresas têm procurado desenvolver alternativas para propulsão dos motores, como a solução “verde” da Tesseract. E agora a NASA propõe adotar a tecnologia nuclear de última geração.

Durante o sexto encontro do National Space Council (NSC), que ocorreu na última terça-feira (20), o administrador da agência espacial norte-americana, Jim Bridenstine, elogiou o potencial da propulsão térmica nuclear, que utiliza o calor gerado por um reator para fornecer impulso com propelentes como o hidrogênio (não confundir com a tecnologia do gerador termoelétrico de radioisótopos, que converte o calor gerado pelo decaimento radioativo do plutônio em eletricidade).

Uma das grandes vantagens que a nova tecnologia trará é a redução de tempo das viagens. As espaçonaves movidas por esses motores poderiam chegar a Marte em apenas três ou quatro meses, o que seria cerca da metade do tempo na viagem mais rápida possível usando propulsão química tradicional, de acordo com Rex Geveden. Ele é o presidente e CEO da BWX Technologies, empresa parceira da NASA no desenvolvimento do conceito de motor térmico nuclear.

Para Bridenstine, esse avanço é um “divisor de águas”, considerando os objetivos da NASA em levar astronautas a Marte na década de 2030. Ele destacou que o tempo de viagem reduzido significa também proteger as vidas humanas a bordo da espaçonave, já que, quanto mais tempo se passa no espaço, maiores são os riscos de receber doses elevadas de radiação. Pesquisas recentes apontam que essa radiação acumulada em viagens a Marte pode danificar os cérebros dos astronautas, afetando o humor e a capacidade de aprender e de lembrar.

Além disso, Bridenstine também destacou a utilidade da propulsão térmica nuclear para aumentar da potência de naves orbitais, que assim poderiam se desviar da linha de fogo das armas anti-satélite. Essas armas estão sendo desenvolvidas tanto pela China quanto pela Rússia, disse Joseph Maguire, diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, durante a reunião do NSC.

Por fim, Geveden disse que a tecnologia poderia ser usada em armas de energia direcionada, como lasers de alta potência. Essas armas teriam potencial de serem usadas para desviar um asteroide e para eliminar o lixo espacial, de acordo com o CEO da BWX.

Existem riscos na propulsão nuclear?

Recorrer à tecnologia nuclear é sempre curioso, devido à associação com o risco ambiental e as inevitáveis reações da opinião pública. Mas a NASA já tem utilizado a tecnologia do gerador termoelétrico de radioisótopos (RTGs, na sigla em inglês) há algumas décadas, inclusive em algumas sondas famosas da agência, como as Voyager e a Cassini, além do rover Curiosity.

Quando a Cassini foi lançada em 1997, houve uma série de demonstrações para garantir que o transporte de 32 quilos de plutônio que a sonda carregava para alimentar seu RTG não daria problemas. O envio do material radioativo para o espaço foi aprovado após vários testes que comprovaram que os RGTs permaneceriam intactos mesmo em caso de explosão do foguete.

Quando tudo estiver pronto para a NASA começar a implementar os novos motores de propulsão térmica nuclear, ela deve projetar um motor capaz de resistir igualmente a todos os problemas e acidentes possíveis, além de realizar testes para convencer de que não haverá problemas. Portanto, ainda há muito trabalho a ser feito até vermos essa tecnologia em ação.

Fonte: Space.com

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